Análise Crítica | Japan Sinks: 2020

Imbuído com tragédia e esperança, Japan Sinks apesar de falho, merece ser visto.

REVIEW OVERVIEW

Análise Crítica | Japan Sinks: 2020

Japan Sinks ou Nippon Chinbotsu (Japão Submerso) é uma novel do escritor Sakyo Komatsu, que foi publicada em 1973 pela Kobunsha e demorou nove anos para ser completada.

Japan Sinks: 2020 é um ONA (liberado diretamente na internet) licenciado pela Netflix e animado pelo estúdio Science Saru (The Tatami Galaxy, Eizouken!) com direção de Pyeon-Gang Ho e o mestre Masaaki Yuasa (Devilman Crybaby).

O anime estreou em 9 de julho de 2020 e conta com 10 episódios.

Esse texto contém SPOILERS!

Sinopse

Pouco tempo depois dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020, um grande terremoto atinge o Japão. No meio do caos, os irmãos Ayumu e Gou Mutou, começam a escapar da cidade com a sua família. Os arquipélagos japoneses que estão afundando, no entanto, perseguem incansavelmente a família. Mergulhados em condições extremas, de vida e morte, e a escolha de se encontrarem e separarem-se – diante da terrível realidade, os irmãos Mutou acreditam no futuro e arranjam forças para sobreviver com o máximo esforço.

Empatia antipática

Os personagens em Japan Sinks são complexos, mas tão complexos que nem o roteirista entendeu, por isso vemos cenas com mudanças absurdas no estado emocional dos personagens, como quando o pai de Ayumu, Koichiro, morre, e a família fica desolada por alguns minutos e depois esquece da tragédia.

Essa falta de empatia pela morte em alguns momentos tirou a realidade dos personagens, se um parente próximo falece, ainda mais de um jeito terrível como no exemplo de Koichiro, o luto seria imenso, sem contar todas as cenas traumáticas que o grupo presencia.

Apesar de tudo, é levemente compreensível esse luto expresso, afinal numa situação sobrecarregada de estresse como um desastre natural, a preocupação principal é sobreviver.

Sendo uma adaptação esses “cortes” eram previsíveis.

Todos os personagens do núcleo principal funcionam bem na história, quase todos tendo um arco bem desenvolvido. O grupo começa muito bem equipado de força braçal, mas aos poucos vai perdendo os integrantes e isso não parece causar efeito nenhum.

Destacando a personagem Nanami Miura, que viveu simplesmente para completar seu arco, dando força emocional para Ayumu e lutando contra o motorista pervertido, após isso morre e é IMEDIATAMENTE substituída por Kite.

Kite (cosplayer do Ryo de Devilman Crybaby) é um excelente personagem, chegou direcionando a história como um Deus Ex Machina, sendo previamente desenvolvido como um youtuber famoso, levantou até alguns mistérios no final, mostrando uma menina extremamente parecida com ele (que poderia ser só uma parente), deixando em dúvida se seria ele no passado, colocando a possibilidade de Kite ser um homem trans; e como ele sobreviveu no balão?!

Ayumu, Go e Mari Mutou

Ayumu começa a história com o problema citado antes, a maldita falta de empatia, ela vê sua equipe toda ser despedaçada numa sala, sai de lá transtornadíssima e depois… supera!

O corte na perna foi a única dor que ela resolveu sentir, o resto ignorou, e apesar de sentir o corte, não fez absolutamente NADA para tratar, mesmo tendo diversas chances para tal.

Go, companhia de abraços e socos com sua irmã Ayumu, gamer que sonha em um dia participar das Olímpiadas por e-Sports, mas… além de ter levado uma flechada, a história teria mudado muito se o Go não existisse?

Mari, a mãe de Ayumu e Go, uma das personagens mais queridas, sendo desde a primeira até a última cena uma pessoa que colocou os outros antes de si mesma, contando até com revelação no final, mas infelizmente uma morte dolorida para os filhos. (Mas como todas as mortes, superam.)

Haruo Koga, Sadboy com motivos

Por incrível que pareça, Haruo foi um dos personagens que melhor demonstrou a tristeza no anime, sobrecarregado com sua saída do time de corrida e a morte de sua mãe, seu comportamento condiz totalmente com a história.

Após presenciar os horrores do desastre, ele acaba ficando um pouco “louco” no decorrer da história, mas isso faz todo sentido, ele ficou em luto, mas quando percebeu o que tinha e o que perdeu enquanto comia curry em Shen City, ele acordou para vida.

Por fim, sua morte foi uma das mais emocionantes, com ele lembrando de seus momentos de ouro no time de corrida.

Kunio Hikita, ou RAMBO

O idoso amargo viciado em morfina, que mesmo no apocalipse nipônico, conseguiu um fornecedor de drogas, matou seguranças com um arco e flecha após dar um 360º com um carrinho elétrico de mercado, foi preso, foi libertado (por Kite) e ainda realizou seu desejo antes de morrer (ir para Shen City e falar com a médium Mãe).

 

Daniel, obrigado!

Daniel foi um personagem inesperado, tipicamente em tramas de fim de mundo/desastre, como TWD, todas as pessoas são potenciais inimigos, e quando o Daniel aparece, o manual de segurança explode e o grupo Mutou resolve ajudar um cara bizarro na estrada.

Contudo para o choque dos fatalistas, Daniel, o artista de rua sem pátria era genuinamente bom!

Pontos interessantes da história

Shen City foi uma das partes mais tensas, afinal colocar sua família entre um culto suspeito no semi-apocalipse nunca é uma boa ideia.

Mas como Daniel, Shen City pegou o clichê e pisou, não era a comunidade perfeita, mas era perto disso, com uma médium de verdade e pessoas trabalhando juntas umas pelas outras.

Tendo problemas reais apenas quando a natureza (e um idoso) resolveram interferir.

A embarcação que permitia apenas japoneses, no momento perfeito para ser ufanista, amando o Japão do jeito errado no fim do mundo, recusando e implicando com Mari, que era filipina e Go que era apenas metade japonês.

Tal qual um remédio, a embarcação parecia ser uma parte que deixaria um gosto ruim na boca, mas no final fez bem, nem todas as oportunidades devem ser aceitas.

KITE, já citado aqui, aquele que fez as engrenagens da história se movimentarem, colocando em destaque todo um plano para ajudar a salvar o Japão e três nativos, mesmo parecendo ser egoísta ele (teoricamente) se sacrificou pelo bem maior.

Nas termas, numa das poucas partes calmas do anime, é discutido de maneira despretensiosa e criativa sobre o povo japonês, onde os personagens compartilham suas visões polarizadas.

Animação

A animação desse anime certamente é a maior causa para droparem, assim como Devilman Crybaby do estúdio Science Saru, a animação é diferenciada, mas não é acidental, esse é um dos estilos de animação do estúdio.

Apesar do anime se manter bem, certas cenas como a do balão no último episódio e algumas vezes quando a pele dos personagens parece papel amassado, deixam um sentimento esquisito, tirando a imersão.

Considerações finais

Japan Sinks: 2020 é um ótimo anime, definitivamente contou com o esforço da produção para chegar ao produto final – e esse valor, junto com as falhas, deve ser reconhecido. Além de apresentar uma história emocionante o anime exaltou e criticou o país que tantos amam, mostrando seus defeitos e suas qualidades, porque o Japão é a terra do sol nascente, porque o japonês é tão fiel ao seu país e aos costumes. Imbuído com tragédia e esperança, Japan Sinks apesar de falho, merece ser visto.

“O sol pode se pôr, mas ele sempre nascerá de novo.”

Todas as imagens usadas nesse artigo são de propriedade da Netflix.

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