Gekigá – O que são esses mangás e dicas de leitura

Gekigá o que são esses mangás e dicas de leitura

Quando falamos em mangá, logo nos vem à mente obras e demografias do circuito comercial. Grande parte do sucesso dos mangás e animes no Brasil veio com a popularização, a partir da década de 90, de produções como Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z, então essa associação é natural. Entretanto, a história da cultura pop japonesa é extensa e abrange muito mais do que apenas os gêneros e as produções que consumimos rotineiramente. Exemplos disso são os mangás gekigá, pouco conhecidos se comparados a tipos como shounen ou shoujo. Por isso, explicaremos neste post o que são mangás gekigá e daremos algumas dicas de leitura para você se familiarizar com o gênero.

O que é gekigá?

Os mangás gekigá despontaram no Japão por volta dos anos 60, trazendo narrativas maduras e realistas voltadas ao público adulto. O termo gekigá significa algo como “figuras dramáticas” ou “imagens dramáticas” e surgiu a partir de artistas que queriam diferenciar seus mangás de obras infantis. Não só as histórias, mas o próprio traçado e o estilo do movimento gekigá também são realistas. Assim, esses mangás se afastaram das características cartunescas de outros trabalhos do período. Com o tempo, o gekigá deu lugar ao seinen.

Portanto, esse tipo de obra é parte importante da história da cultura pop japonesa. Dessa forma, muito do que vemos hoje em certos mangás e animês teve influências do gekigá. No entanto, por não fazer parte do grande circuito comercial da indústria de mangás no Ocidente, esses trabalhos não possuem tanta popularidade no Brasil. Além disso, por ser um movimento um pouco mais antigo, o gekigá nem sempre agrada a todos os púbicos. Mas, mesmo assim, existem bons mangás desse tipo publicados no Brasil e que valem a leitura.

  1. O Preço da Desonra: Kubidai Hikiukenin

Mangá gekigá O Preço da Desonra

Japão. Xogunato. Em um determinado momento, as lutas travadas nos territórios em conflito começaram a ser negociadas e ganharam contornos econômicos, quando honra, tradição e glória foram substituídas pelo comércio puro e simples. Por meio de barganhas firmadas no desenrolar de um combate de espadas em campo de batalha, o derrotado podia manter a cabeça sobre o pescoço… desde que pagasse a quantia certa para tanto.

O Preço da Desonra é de autoria de Hiroshi Hirata e é publicado no Brasil em volume único pela editora Pipoca & Nanquim.

  1. Satsuma Gishiden

Mangá gekigá Satsuma Gishiden

Após a Batalha de Sekigahara, em 1600, o Japão vive um longo período de paz. No entanto, essa paz é apenas aparente… As guerras no campo de batalha cessaram, mas novos tipos de conflito brotaram na alma dos habitantes das províncias do país, principalmente entre os samurais, que perderam seu propósito de vida de uma hora para outra. Afinal, o que faz um guerreiro sem guerra?

Também de Hiroshi Hirata, Satsuma Gishiden possui três volumes publicados pela Pipoca & Nanquim.

  1. Recado a Adolf

Mangá Recado a Adolf

Nesta história nós acompanhamos a vida de três Adolfs. O primeiro deles é filho de um oficial nazista do consulado da Alemanha no Japão. O outro é um japonês filho de imigrantes judeus. E o terceiro é… Adolf Hitler. Três pessoas completamente distintas, com apenas o nome em comum, cujos destinos estão entrelaçados com o de um repórter japonês chamado Souhei Touge, detentor de um valioso documento que guarda um grave segredo sobre Hitler.

Recado a Adolf possui dois volumes e também é publicado pela Pipoca & Nanquim.

  1. Golgo 13

Mangá Golgo 13

Robusto e com cara de poucos amigos, Golgo 13, também conhecido pelo pseudônimo Duke Togo, é um implacável assassino profissional. Extremamente frio e competente, G13 nunca falha em suas missões. Na primeira aventura, Golgo 13 precisa matar um ex-agente duplo condenado à morte nos Estados Unidos. Na segunda história, ele se envolve numa conspiração para sequestrar o então Papa João Paulo II.

Golgo 13 é da editora JBC e tem três volumes.

Esses são apenas alguns dos inúmeros mangás gekigá, mas eles já podem dar uma ideia das características do antigo movimento e, quem sabe, conquistar novos fãs.

Júlia Garcia

Júlia Garcia

Jornalista. Gosta de hambúrguer, cultura pop japonesa e RPG. Também ama cachorros.